Muitas vezes, principalmente ao ouvir algum palestrante citar este ou aquele modelo de vida, esta ou aquela pessoa, recriminar um ser humano pelas suas atitudes, me pego julgando o (a) palestrante.
Não acho isso correto e busco eliminar, como também não acho correto uma pessoa, ao ter oportunidade de fazer uso da fala em público, citar exemplos negativos, dar indiretas ou recriminar outro ser humano.
Citar que aquela pessoa é errada porque tomou este caminho, que aquele grupo de pessoas é errado porque não fez o que era esperado, que a outra pessoa é isto ou aquilo, que fez isso ou aquilo, mesmo sem citar nomes, é simplesmente um absurdo.
Cada ser tem direito as suas escolhas e a cada um é dado o direito de ir e vir, de ser, estar, agir, como se sentir melhor, como bem entender. Isso é o que chamamos de liberdade e também de livre arbítrio.
Lógico que conforme os atos é necessário aguentar as consequências, mas até isso é opção da pessoa e não cabe a um outro ser recriminar, apontar e principalmente julgar.
Acredito sinceramente que "se" a atitude do outro não é a que considero adequada, devo apenas me calar, afinal o mal não merece comentários em tempo algum e em uma fala pública, quando percebo um erro ( geralmente nem é ) sendo apontado através de outro, tenho certeza que cada um irá tirar suas próprias conclusões, mas sinto uma imensa vontade de mandar o (a) palestrante calar a boca porque ele (a) não tem o direito de julgar os outros, citar exemplos, se colocar em cima de um pedestal (que geralmente não existe) e me percebo capaz de fazer um raio x no seu coração.
Como julgar um ser humano porque ele não segue o mesmo caminho? Porque discorda de determinada postura diante da vida? Inúmeras pessoas não se limitam a mundos pequenos, fechados e se permitem vôos mais altos. Como recriminar quem gosta de festas ou não as suporta; de sorrir ou de ser sério; de ir e vir onde julgar bom e conveniente; de ser sincero e falar o que sente e pensa ou permanecer calado; de optar por este ou aquele modo de vida e ai se inclui ser solteiro, separado, casado, vestir jeans ou social, tomar cerveja ou uísque ou não gostar de bebida alcoólica, gostar da noite ou do dia, da chuva ou do sol, de ter a opção sexual que bem entender?
Como alguém pode se julgar o certo (a) e com pleno direito de julgar aos outros?
E como se julgar capaz de ler as intenções e os sentimentos já no primeiro olhar lançado sobre o outro?
A verdade é que não sabemos o que levou aquele ser humano a ser de determinada maneira, a tomar determinada atitude e geralmente nem tentamos saber e agimos como se nunca errássemos, mentíssemos, falhássemos com os outros.
Portamo-nos como juízes da integridade, sentados no trono do nosso egoísmo, portando o cajado de nossas perfeições e podendo, assim, emitir julgamentos precisos sobre todos e qualquer um.
Quantas vezes julgamos de forma precipitada e erramos?
Não é a aparência de uma pessoa e nem a sua suposta forma de vida o espelho da sua imagem e precisamos ter mais cuidado ao julgar.
Se faço uso da palavra em público, "devo me basear em estudos", sejam eles de que assunto forem, (bíblicos, históricos, sociais, culturais, econômicos...) devo me basear em fatos verídicos que sirvam de base, ensinamentos, mudança e construção, evitando a promoção pessoal, evitando elogios pessoais e/ou indiretas ao próximo.
Certa vez, conversando sobre isso com um grande homem “que me ensinou onde está o amor”, ele me disse que Deus não nos deu a capacidade de medir as pessoas porque somente "Ele" possui juízo isento para isso e essa é uma grande verdade.
Todo julgamento humano está manchado pelas incoerências humanas. Isso não nos desculpa ou libera para julgar e após dizer, sou humano, errei, mas ensina que nunca, seja na igreja, no trabalho, na rua, no meio social, seja lá onde for, nenhum de nós tem o direito de apontar os erros do outro porque somos todos errados, porque todos nós, absolutamente todos, erramos o tempo todo. Podemos procurar modificar isso, mas erramos sim e apontar um ser humano, mesmo que seja através de indiretas, é no mínimo desumano e todo ato desumano precisa ser revisto, repensado e modificado.
É preciso que o ser humano, “este bicho super complicado”, perceba que ao estender a mão e apontar um dedo para o outro, quatro dedos estão apontados em sua própria direção.
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