As lições da campeã do Ideb. A melhor escola pública brasileira mostra o que dá certo e também o que deve ser evitado no ensino fundamental
Texto - Bruna Nicolielo, de Santa Fé do Sul (SP) - Foto: Bruna Nicolielo.
Santa Fé do Sul, no noroeste paulista, não é grande, conhecida ou rica: tem 28 mil habitantes, um único cinema e uma modesta biblioteca pública. As opções de trabalho restringem-se ao funcionalismo público e a pequenos comércios. A renda média mensal não chega a 1 200 reais. Ainda assim, é ali que está a melhor escola pública de ensino fundamental I do Brasil: a escola Professora Elisabeth Maria Cavaretto de Almeida. Sua nota no Ideb, o principal ranking nacional, é 8,6, numa escala que vai de 0 a dez. A nota é superior a de muitos países desenvolvidos, com média na casa dos 6. E o dobro da média brasileira, hoje nos 4,2. Mas a escola Professora Elisabeth Maria Cavaretto de Almeida não é um caso único: outras quatro escolas dessa cidade estão entre as 10 melhores escolas públicas do Brasil. Resultado? Santa Fé do Sul também está bem colocada no Ideb: tem nota 7,6.
O avanço na nota do Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica), que contabiliza os pontos obtidos no Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (Saeb) e na Prova Brasil, entre outros quesitos, ocorreu entre 2005 e 2007. Em apenas dois anos, Santa Fé saltou de 4,7 para 7,6. Também a escola Elisabeth Maria tinha uma sofrível nota de 2,6 antes de chegar a 8,6. Indício de que os alunos começaram a se desenvolver. Outro sinal de que os alunos estão aprendendo o que é ensinado em sala de aula é que Santa Fé tem baixos índices de repetência e de evasão escolar.
Qual o segredo da escola Professora Elisabeth Maria Cavaretto de Almeida? O segredo de Santa Fé? A repórter Bruna Nicolielo, do movimento Educar para Crescer, passou alguns dias nesta cidade que quase faz fronteira com Mato Grosso do Sul para descobrir. Ela assistiu aula na Elisabeth Maria, entrevistou a Secretárias de Educação, o ex-prefeito, professores, diretores, coordenadores pedagógicos, pais, e todos os envolvidos neste grande salto de qualidade. Nesta reportagem, ela revela os segredos da melhor escola pública de ensino fundamental I do país, segundo o Ideb.
Como a escola Elisabeth Maria Cavaretto de Almeida chegou ao topo?
O segredo do salto de qualidade que a escola Elisabeth Maria deu veio da aplicação de um conjunto de ações já consagradas. Entre elas: a padronização de conteúdo, a avaliação constante, a capacitação dos professores, a valorização da gestão e, por último e não menos importante, a participação da família. A Secretaria de Educação de Santa Fé reorganizou a Educação Infantil e Fundamental. Aderiu a um sistema estruturado de ensino, que ajudou a elaborar um projeto pedagógico comum a todas as escolas. Em 2006, implementou seu Plano Municipal de Educação. O plano está previsto na Lei de Diretrizes e Bases de 1996, mas só 41% das cidades brasileiras tem o seu, o que mostra que Santa Fé, ao contrário de boa parte dos municípios brasileiros, sabe o que fazer com a autonomia assegurada pela Constituição de 88, que concedeu aos municípios o direito de criar seus próprios sistemas escolares. Além disso, a Educação da cidade não recebe investimentos da iniciativa privada, o que prova que é possível avançar com os recursos atuais.
Santa Fé tem três escolas particulares, que também adotam sistemas estruturados de ensino. "Como o nível das escolas públicas aumentou, muitos pais tiraram seus filhos das particulares",
Fazer todos os alunos aprenderem de forma homogênea é obsessão de professores e diretores. Em Santa Fé, há dois tipos de avaliação. Uma é semestral, semelhante a provas como o Saresp, aplicado em São Paulo, e a Prova Brasil. A outra é bimestral. Ambas são comuns a toda rede e identificam os alunos de baixo desempenho, que precisam de acompanhamento. O reforço de português e matemática acontece no contraturno, duas vezes por semana. Mas já no inicio do ano letivo os professores fazem o diagnóstico de suas turmas. "Nesse primeiro contato, conhecemos os alunos e identificamos suas necessidades". "O trabalho é exaustivo. A escola tem que cobrar o máximo das crianças, sem gerar ansiedade". A experiência internacional respalda as ações da pequena cidade paulista. No Brasil, não existem estatísticas oficias, mas são raríssimas as redes de ensino que dão aulas de reforço. O resultado é nosso desempenho pífio em testes internacionais. Países com bom desempenho, ao contrário, investem em acompanhamento individual dos defasados, com bons resultados. Lição número 6: mais educação no contraturno Disciplinas atrativas, como esportes e artes, foram introduzidas no contraturno e completaram a equação que levou ao sucesso da rede municipal de Santa Fé. Laura Pohl, de 10, aluna da Emei Elisabeth Maria Cavaretto, já experimentou karatê e natação. Hoje, tem aula de flauta. O estudante Gleison Campanholo, de 13 anos, participa do grupo de teatro de sua escola, a Emei Agnes Rondon. Ambos têm aula de informática no turno da manhã. A exemplo do que ocorre em países onde a educação funciona, as crianças passam mais tempo na escola: a média da cidade no ensino fundamental I é 5,2, contra 4,3 no restante do país. Na pré-escola, a diferença é ainda maior: são 6,6 horas, contra 4,5. O futuro da Educação de Santa Fé.
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FICA A PERGUNTA: - POR QUE NÃO SEGUIR OS BONS EXEMPLOS?

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